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Guia completo para desenvolver novas competências e habilidades

Já parou para pensar o quanto desenvolver novas competências é essencial para o seu crescimento pessoal e profissional? A área de Recursos Humanos tem entendido cada vez mais a importância desse desenvolvimento e auxiliado as pessoas nessa busca.

Até que ponto é possível desenvolver uma nova habilidade? Há estudos que indicam uma forte plasticidade do cérebro, característica que permite o desenvolvimento ou mesmo o aprendizado de algo a partir do zero. No entanto, para isso é preciso força de vontade e plena saúde física e mental.

A prática de atividades como raciocínio lógico, corrida, meditação e outras pode ajudar no incremento das suas competências, ainda que as atividades não estejam diretamente relacionadas.

Quer saber mais sobre como desenvolver novas competências e habilidades? Confira o nosso post de hoje e fique por dentro!

Por que buscar o crescimento?

Será que buscar constantemente o crescimento é uma atitude que vale apenas para quem não está satisfeito com a vida? Não exatamente. Pense que hoje você pode estar feliz com sua situação, mas amanhã algo pode acontecer e tirar você do lugar.

Se você estiver parado, vai ser muito mais difícil tomar uma atitude e se virar. No entanto, caso você já esteja em movimento, tudo funcionará de maneira mais orgânica. No cenário atual, há mais chances de que algo novo aconteça. É sabido que o mercado de trabalho está em constante mudança e que ele tem se tornado cada vez mais imprevisível.

Diversos fatores explicam isso entre eles, a evidente evolução tecnológica, a crise econômica e a mudança no perfil da população brasileira. Estudos indicam que, até 2060, 33,7% da população será formada por pessoas acima de 60 anos.

Na outra ponta da vida, a taxa de fecundidade só diminui. Calcula-se que, em 40 anos, a dependência de idosos em relação à população economicamente ativa atingirá 63%.

A alteração demográfica também implicará em uma transformação no perfil dos trabalhadores. Com muito mais gente vivendo mais, já se fala em mecanismos que adiem a aposentadoria — a reforma da Previdência, sancionada pelo presidente Michel Temer neste ano, é um exemplo.

Ou seja, as pessoas trabalharão por mais tempo e essa pode ser uma chance de aproveitar mais possibilidades. Com mais tempo no mercado de trabalho, é possível que surjam mais oportunidades para trabalhar a favor do próprio crescimento além de planejar a melhor maneira de aliar a parte pessoal à profissional.  

Quais  são as competências mais esperadas de um profissional do século XXI?

A evolução da tecnologia da chamada Quarta Revolução Industrial, época em que vivemos, deve implicar na perda de mais de 5 milhões de empregos formais em até cinco anos de acordo com o Fórum Econômico Mundial no relatório “Futuro do Trabalho”, publicado em 2016.

O documento aponta que a mão de obra que temos hoje será substituída, em sua maior parte, por tecnologias como inteligência artificial, aprendizagem automática, robótica avançada, transporte autônomo e outras.

Nesse cenário, de acordo com o economista Octavio de Barros, sobreviverão empregos que dependem de criatividade, inteligência e habilidades sociais. “Em outras palavras, a educação de todas as gerações deverá se basear no incentivo à inventividade”, disse o economista em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo.

Obviamente, o funcionário que se encaixa nesse perfil tenderá a se adaptar com mais facilidade. Com isso, e vendo o mundo em constante mudança, é imprescindível pensar em seus pontos fortes e fracos para buscar desenvolver-se e destacar-se em meio aos concorrentes.

Além disso, é importante perceber que suas características não são imutáveis. É possível que, ao desenvolvê-las, você consiga trabalhar melhor as habilidades que hoje são essenciais a todo profissional.

Abaixo listamos mais algumas:

Saber administrar o próprio tempo

No filme “Depois de horas” (1985), de Martin Scorsese, um editor de livros (Griffin Dunne) marca um encontro com uma garota. Durante as 24 horas em torno desse encontro, absolutamente todos os imprevistos imagináveis e inimagináveis acontecem.

O personagem não soube planejar a própria rotina ou é impossível prever as coisas que podem acontecer à nossa volta? Provavelmente as duas coisas. A primeira alternativa não elimina a outra, mas pode amenizar seus efeitos.

Tema constante não só no cinema como na literatura, na música e nas artes visuais, o tempo é um dos bens mais valiosos do indivíduo. Apesar de incontrolável, o que fazemos enquanto ele decorre é administrável.

Saber administrar a sua passagem implica investir corretamente no seu próprio crescimento. É sentar, olhar pelo que vem à frente e saber o que fazer quando o tempo chegar. Planejamento é essencial.

Ter autoconhecimento

O autoconhecimento é a capacidade de administrar as próprias emoções — saber o que elas significam e como aplicá-las a seu favor. Essa característica é essencial no mundo moderno, pois faz com que tenhamos um controle maior sobre nossas próprias ações além de entender como elas são percebidas pelas pessoas ao nosso redor.

Conhecer-se melhor faz com que você saiba mais a fundo sobre a razão das suas próprias ações e impede que fatores externos tenham muita influência negativa sobre você. Ter autoconhecimento é ser líder de si mesmo. Assim, o autoconhecimento permite que você controle melhor suas emoções e saiba lidar com os próprios sentimentos.

Richard Boyatzis e Daniel Goleman, autores de best-sellers sobre o assunto, recomendam que se busque dimensão das suas forças e fraquezas pedindo comentários de pessoas que trabalham com você. “Quanto mais gente responder, mais preciso será o retrato final”.

Desenvolver bons relacionamentos

É importante frisar que todos os seus relacionamentos, em maior ou menor grau, são capazes de influenciar o seu crescimento. Os amigos são parte essencial disso. Em uma relação de amizade, as pessoas amam as outras pelo que elas são, sem esperar nada em troca explica o psiquiatra Daniel Martins de Barros.

“A amizade nasce do conhecimento mútuo, da identificação, da interação repetida. Infelizmente, a ausência pode afastar mesmo amigos de verdade”, explica o colunista. Além disso, também vale mencionar que todas as relações trazem desafios. Com quem somos mais íntimos, o desafio é a constância e a complexidade do outro.

Já com quem não existe intimidade, o mais difícil é enxergar humanidade, ter empatia, colocar-se no lugar do outro. O escritor norte-americano David Foster Wallace, em seu ensaio “A liberdade de ver os outros”, aponta que as pessoas estão condicionadas a achar que nossos desconhecidos são estúpidos.

Ele desafia: “pare, olhe à sua volta e perceba como todos estão lutando a própria batalha”. Wallace ficou famoso por esse discurso na Universidade de Harvard, feito para formandos.

Assim, a qualidade das relações que você estabelece com pessoas, próximas ou não, contribui para o seu constante crescimento. No entanto, lembre-se: nem todas as ações dependem de você. Tente não insistir demais se não houver disposição da outra parte.

Ser organizado

A organização sempre foi uma característica valorizada no mercado de trabalho. É provável que seu valor só aumente. Ela também está ligada à gestão do tempo — atributo já citado como essencial para o crescimento pessoal. Além de disso, é um aspecto importante da disciplina.

Saber organizar a própria vida diz respeito também a coisas pequenas do dia a dia, como guardar corretamente os objetos da própria mesa. No entanto, também tem a ver com objetivos a longo prazo e com o estabelecimento de metas. A organização é uma das bases para uma vida emocional estável.

Alguns hábitos ajudam a trabalhar a organização. Entre eles, usar uma agenda e elaborar sempre uma lista de tarefas. A primeira atitude deve ajudar no planejamento do seus dias, semanas e meses. A segunda contribuirá para que você tenha uma noção mais imediata do que é preciso ser feito.

Durante essas duas ações você verá que será preciso estabelecer uma lista de prioridades. Fazendo isso, é provável que surja a percepção de que as redes sociais estão atrapalhando sua busca por uma maior organização. Não tenha receio de deixá-las um pouco de lado.

Por último, lembre-se de realizar pausas. Parar durante o dia para respirar, comer, tomar água, ir ao banheiro, entre outras coisas, ajudarão você a pensar melhor nas próprias ações e em como organizá-las além de reduzir o estresse.

Ter senso crítico

A capacidade de ser crítico está muito ligada à sua bagagem cultural. Quem tem contato com diferentes formas de expressão artística, cultural e histórica tem uma base mais sólida de conhecimento. Dessa maneira, enxerga determinados projetos e cenários com uma visão crítica maior.

Quem tem senso crítico aguçado consegue identificar situações difíceis e diferenciar ideias inovadoras de coisas comuns ou mirabolantes. Uma dica para desenvolver esse lado é acompanhar o noticiário e ler muito.

Nesse sentido, a mídia tradicional e alguns veículos independentes cujo quadro conta com profissionais gabaritados traz informação mais confiável. Acompanhe esses portais eles estão presentes em todas as mídias.

Saber se comunicar

A capacidade de expressar-se é outra facilidade de quem tem bagagem cultural — de quem gosta de ler, viajar e assistir a filmes, entre outras coisas. Saber comunicar-se pode abrir um leque de oportunidades. Afinal, é a partir da comunicação que todas as relações se constroem.

A comunicabilidade ajuda não só no seu emprego atual, mas também a projetar possibilidades com a sua rede de contatos. Quem se comunica interage mais e tende a aumentar as suas chances de lidar com situações novas — que, por sua vez, propiciam o desenvolvimento pessoal e profissional.   

Exercer a cidadania

A compreensão do próprio papel como cidadão, num país como o Brasil, é algo ainda incipiente. Isso porque, entre outras coisas, tivemos sucessivos rompimentos democráticos e ainda não existe uma tradição de valorização do próprio papel como cidadão.

O maior exemplo de que essa compreensão ainda tem muito a caminhar é o clima de animosidade que hoje se instala no país. Nesse cenário, ter uma visão moderada e saber dialogar é um grande diferencial.

Além disso, entender o seu papel como cidadão é algo que tende a ser valorizado. Afinal, quem compreende o que é cidadania percebe a função dos diversos setores da sociedade — a classe trabalhadora, o empresariado, entre outros — e dialoga com maior desenvoltura.  

Ter senso prático

Senso prático é a noção de como e quando aplicar seu conhecimento da maneira mais efetiva possível. No entanto, atenção: o senso prático não deve ser confundido com imediatismo e necessidade de “mostrar serviço”.

É importante ter cuidado para não incorrer na chamada “ignorância confiante”. Esse é um termo usado por pesquisadores para referir-se à situação em que uma pessoa acha que tem uma capacidade que ela não tem de fato. Um motorista bêbado que julga ser capaz de controlar a direção do GPS é um exemplo disso.

Para o professor do Instituto de Psicologia da Universidade Eotvos Loránd, de Budapeste, Balazs Aczel, a coisa mais equivocada que alguém pode fazer é superestimar-se.  

“Isso indica que uma pessoa não precisa ter um QI baixo, na opinião geral, para agir de maneira estúpida. Só precisa ter uma percepção equivocada de suas habilidades”, disse em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo.

Ser flexível

De fato, a flexibilidade é um desejo de parte da população. No Brasil, incluir horário flexível e trabalho remoto como modalidades de trabalho são benefícios cada vez mais adotados pelas empresas.  

É o que mostra o estudo Work For Me, realizado pelo ManpowerGroup, que ouviu 14 mil profissionais de 18 a 65 anos em 19 países. Entre os brasileiros, cerca de 31% dos entrevistados acreditam que a flexibilidade do horário de trabalho deve ser um dos maiores fatores para se levar em conta para tomar uma decisão relacionada à carreira.

Para o CEO do ManpowerGroup, Nilson Pereira, a valorização da flexibilidade tem muito a ver com a precariedade de infraestrutura. O transporte público é um exemplo. As pessoas gastam muito tempo no deslocamento.

O estudo também mostrou que trabalhar por meio período é a vontade de 51% dos brasileiros. Já o trabalho remoto é visto como positivo por 18% dos brasileiros que querem home office em tempo integral.

Já entre as mulheres, 55% quer mais flexibilidade, contra 45% dos homens. Para Pereira, esse é um dado curioso porque a vontade de ter flexibilidade acontece por motivos diferentes.

“Para a mulher tem a ver com a jornada dupla, a necessidade de cuidar de filhos, da casa ou de um parente doente. Os homens buscam o benefício para fazer algo de seu agrado, como um hobby”, disse Pereira em entrevista ao Estado de S. Paulo.

Ser flexível é estar disposto a transformar situações ruins em novas oportunidades — o que é muito valioso num país em crise. Ou saber que nada é de todo ruim e que tudo é aprendizado.

Priorizar a inovação

Atualmente, quem quer crescer nāo pode estar no patamar do “mais do mesmo”. A capacidade de inovar, em qualquer aspecto, é sinônimo de abertura para o mundo em que vivemos hoje. Assim, existirá compreensāo e estudo, sem que se perca as oportunidades apresentadas à nossa frente a todo momento.

Segundo o professor da Harvard Business School, Thales Teixeira, inovação pode ser entendida também simplesmente como a combinação de algo novo e útil. Novidade por si só é criatividade, não inovação, defende. Para fazer da inovação uma característica útil, é preciso encontrar sua utilidade e saber como aplicá-la, diz o professor.

Como desenvolver novas competências?

Desenvolver uma nova competência não é um trabalho impossível. Pelo contrário, para o próprio crescimento pessoal é importante que habilidades até então desconhecidas sejam percebidas e almejadas.

O primeiro passo para isso é justamente a identificação. Se você trabalha em uma empresa e quer se tornar o gerente do seu setor, por exemplo, vale se perguntar: quais habilidades são necessárias para estar nesse cargo? Ou ainda, o que tornaria você uma pessoa especial para exercê-lo?

É provável, então, que dessa maneira o cenário fique mais claro. A etapa seguinte é a o entendimento. Nesse momento ter autoconhecimento é extremamente importante. O quão motivado você está para desenvolver as novas competências?

Quanto tempo e quanto dinheiro você precisa investir para ter determinada competência? É possível partir de um ponto em que você já está para chegar mais facilmente ao objetivo final?  

De fato, o passo seguinte é justamente o da avaliação — ou assessment. Descubra o quão distante você está daquilo que tornaria você mais realizado. Fazendo essa avaliação você terá noção do que ainda deve ser feito.

Nessa etapa, você pode criar uma escala de um a 10 para cada competência que você precisa cumprir sendo um aquela sem importância e a 10 a fundamental. Se a competência for fundamental e seu conhecimento acerca dela for baixo, será necessário investir mais tempo e dinheiro.

O passo seguinte é a aquisição. Faça uma lista de tudo o que você precisa dominar para adquirir essa competência considere cursos, treinamentos, palestras, leituras, estudos e trabalhos. Elabore, então, um plano de ação, que deve responder a questões como o que fazer, quando fazer, onde fazer e quais são os recursos necessários.

Últimos passos

Em seguida, pense na experimentação. Nessa fase, você deve experimentar novos comportamentos que expressem a competência que você deseja adquirir. Ainda seguindo o exemplo da promoção a gerente de setor, imagine que você já conquistou esse cargo e todas as competências que são necessárias para tê-lo.

Como você se comportaria agora? O que você faria para justificar a posição em que você está? Nesse breve exercício, que deve aos poucos permear seu dia a dia, você entenderá melhor seus hábitos e saberá como trabalhá-los para desenvolver as competências desejadas para a sua carreira.

O penúltimo passo é a prática do “coaching for competences”. Basicamente, é o treinamento diário das competências que você precisa ter. Em vez de fazer algo mirabolante a cada dia, especialistas recomendam que se trabalhe pequenas ações — a dica anterior é um exemplo disso.

A última etapa é a aplicação. Nessa frase, depois de muita prática, você deve aproveitar as oportunidades para, evidentemente, aplicar a competência adquirida. Apenas dessa maneira é possível transformar todo o trabalho feito anteriormente em algo sólido.

É claro que, depois do objetivo consolidado, é importante fugir da acomodação. Essa é a ideia por trás do crescimento constante.

O que o coaching tem a ver com desenvolvimento?

Todo o trabalho que você terá e que foi explicitado neste texto pode ser facilitado com a prática do coaching. O método ajuda a conhecer  seu próprio perfil e comportamento, além de entender como ele impacta a equipe para a qual você colabora dentro da empresa.

O coaching surgiu nos anos 1970, nos Estados Unidos, quando o ex-tenista profissional Timothy Gallwey, lançou um livro chamado “O jogo interior de tênis”. Ele propunha princípios básicos de capacitação de psicologia aplicada, com conhecimentos adquiridos como profissional de tênis.

Atualmente, existem diversos profissionais que trabalham com essa prática. Um deles é o coach empresarial. Ele reforça o trabalho em equipe de uma empresa e coloca o que é aprendido individualmente em prática com todo o time. Com esse método, a performance da empresa é fortalecida.

Como já destacamos, coaching não é uma fórmula pronta, mas uma metodologia versátil que leva ao autoconhecimento. Ela ajuda você a ser mais consciente de suas próprias ações e capacidades — o que, por sua vez, contribui para que você as desenvolva.

O ideal é buscar um coaching quando você sentir que está numa situação acomodada e quando há dificuldades muito grandes em encontrar soluções. Com o método, você sairá da sua zona de conforto. Aprenderá, então, a superar medos e limitações e a lidar, de fato, com a própria evolução.  

Neste texto nós falamos sobre desenvolvimento de competências. No entanto, há também um passo que pode ser tomado depois que se aprende e desenvolve algo novo: passar a competência adiante para colaboradores da mesma empresa, colegas e amigos. Essa capacidade também algo que o coaching pode ajudar a tornar concreto.

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